
O pisca-pisca não é enfeite. É holofote, e por isso ele vai na vertical.
Antes de qualquer coisa, uma frase de um livro de decoração que eu não esperava encontrar num livro de decoração:
"Marketing e filmes nos ensinaram que decorar uma árvore de Natal é um evento alegre, divertido e glorioso, passado rindo com quem a gente ama, colocando delicadamente os enfeites de suéter de tricô. A realidade envolve gritos abafados de frustração, lâmpadas queimadas e tensão."
Pronto. Agora dá para falar de método.
A frase que reorganizou a minha árvore
"Na hora de usar bem o pisca-pisca, você precisa pensar nele menos como enfeite e mais como holofote lindo. Use para iluminar os cantos mais escuros da árvore, em vez de como uma decoração a mais."
Holofote. Não enfeite.
E a consequência prática vem logo em seguida, e é a coisa mais aplicável que eu li sobre árvore de Natal:
"Não pendure as luzes na horizontal ao longo dos galhos. Isso desperdiça muito comprimento e muitas lâmpadas acabam não sendo vistas, porque literalmente ficam encostadas em cima dos galhos. Em vez disso, vá na vertical. Assim você tem lâmpadas entre os galhos, além de em cima deles."
Pensa no que acontece na horizontal. A lâmpada deita no galho. Metade dela fica escondida pela folhagem, e a luz que sai vai para o lado, não para dentro.
Na vertical, o fio desce e sobe atravessando as camadas, e as lâmpadas caem nos vãos. A árvore acende por dentro.
E tem um bônus para quem tem árvore encostada na parede: "Se a sua árvore não é vista de todos os ângulos, isso também vai te dar o dobro de cobertura, já que você não precisa iluminar as costas que ninguém vê."
Mais três coisas sobre a luz
As luzes vão para trás, os enfeites para frente. A ideia é a mesma do holofote: a luz ilumina, o enfeite aparece.
Teste antes de pendurar. "Você não vai querer esperar até que estejam todas lindamente penduradas para descobrir que precisam de conserto." Óbvio, e mesmo assim.
Prefira solar ou pilha, porque "são mais seguras". Se for de tomada, escolha baixo consumo, "porque essas não esquentam tanto".
A ordem de pendurar, que também é técnica
Aqui a autora tem um sistema, e ele resolve o problema de árvore desequilibrada.
Primeiro, tire tudo da caixa. Todas as peças, antes de começar. "Não adianta ir caixa por caixa."
Separe por tamanho. "Antes de pendurar qualquer coisa, disponha os enfeites em ordem de tamanho. Quando a gente faz isso, dá para pendurar de forma mais equilibrada."
Dentro de cada tamanho, separe em simples e especiais. Assim dá para "priorizar os enfeites especiais ou sentimentais na frente, com os menos ornamentados mais atrás."
As bolas grandes e simples vão primeiro, perto do tronco. "Isso vai dar sensação de volume. Como são mais simples, não precisam ser o centro das atenções."
As peças especiais vão na altura dos olhos.
As menores ficam nas pontas dos galhos, que é onde o galho aguenta menos peso.
E afaste-se o tempo todo, "para ver onde você está ficando pesada demais ou leve demais."
Nada disso custa dinheiro. É só ordem.
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E ela diz uma coisa que eu não esperava
"Eu pessoalmente acho que você não precisa ter uma árvore de Natal. GASP. Falei, e não me arrependo. Elas são absolutamente gloriosas, mas nem todo mundo tem espaço, ou vai passar tempo suficiente em casa no Natal para valer a pena."
Se você não vai ter árvore, a alternativa dela é um arranjo de folhagem em cima de qualquer superfície plana. E ela avisa: "Garanta que ela não seja preciosa demais, caso apareça uma marca de água."
O método do arranjo tem números:
- Potes e jarras de tamanhos variados, para ter alturas diferentes, cheios de água até três quartos.
- Uma grade de tela de galinheiro por cima da boca de cada pote, presa com barbante, para segurar os caules.
- As maiores atrás, as menores na frente e nas laterais, para criar camadas.
- Os caules maiores primeiro, para desenhar a silhueta. Depois o preenchimento. As flores e a folhagem cara por último.
- Corte o caule em ângulo ("mais superfície para beber") e tire as folhas que ficariam debaixo d'água.
- Borrife todo dia e troque a água a cada três dias.
E a economia: compre uma braçada da folhagem principal e pergunte na banca o que serve de preenchimento, porque "existe muita folhagem que funciona bem com eucalipto por cerca de um terço do preço". O caro vai na frente e em cima. O barato faz volume.
O cheiro, com temperatura e tempo
Essa é a parte que eu já testei.
Laranja desidratada e canela em pau, diz ela, "são uma forma linda de somar apelo visual e cheiro de verdade ao seu cenário de dezembro. Servem em guirlandas, festões, árvores e quase toda decoração. Também ficam lindas num açucareiro numa mesa de entrada."
O método, na íntegra:
"Fatie e ponha as laranjas no forno por cerca de 45 minutos a uma hora, virando na metade. Eu deixo meu forno com ventilação em cerca de 120 ºC e fico de olho enquanto elas secam."
A canela não precisa de nada: "pode ser usada como ela vem."
E a opinião contra a corrente, que é a melhor parte: "Eu sei que o certo é pendurar essas fatias bem à vista, mas eu adoro as fatias enfiadas no meio da folhagem."
Escondidas. Você sente o cheiro e não vê de onde vem.
Uma coisa sobre este livro
Ele não tem uma data. Nenhuma, no capítulo inteiro.
Eu geralmente abro esses textos com um ano, um decreto, um nome. Já escrevi, por exemplo, sobre a árvore que ficava em cima da mesa por causa de uma lei de 1531. Este capítulo é outra coisa: é técnica pura, com número e mecanismo, sem nenhuma origem. Prefiro avisar do que inventar história.
E o fim, que ninguém escreve sobre
A parte mais útil do capítulo é a última, e é sobre guardar.
A regra dela é não comprar caixa de plástico. "Estamos vivendo num mundo onde nos dizem que muitas caixas de plástico fazem uma casa organizada. Arrepio."
O que ela usa, e vale a lista inteira:
- Caixas de ovo e de cereal, macarrão ou sachê de chá. Ocupam pouco e são empilháveis dentro de caixas maiores.
- Tubos de papel toalha ou de papel de presente colados juntos, para enrolar o pisca-pisca. Depois é só deslizar dentro de um tubo postal. "Assim elas ficam protegidas durante o armazenamento e você não vai perder tempo desembaraçando no ano que vem."
- Papel de presente e papel de seda guardados no dia, para embrulhar bolas e forrar o fundo das caixas. O papel de seda "vai conseguir absorver qualquer umidade dentro da caixa."
- Divisórias de caixa de vinho, ideais para empilhar bolas, com papelão entre as camadas.
- Caixas de bombom e latas de biscoito, para o que é delicado. As latinhas pequenas para ganchinhos e fita.
E o truque de espaço que eu vou usar: "O armazenamento na casa costuma ser pesado embaixo, com a parte de cima dos armários frequentemente sem uso. Como a decoração de Natal é bem leve, barras de tensão são ideais aqui, para manter as caixas fora do chão e longe de perigo."
Fecha com o conselho mais barato do capítulo: fotografe ou desenhe o arranjo que deu certo, e anote o que você comprou de folhagem e quanto usou. Ano que vem você não recomeça do zero.
Se você quiser o resto do que a gente está montando para a temporada, reuni tudo numa página, com um checklist da mesa para baixar.
E se você quer o detalhe que não ocupa espaço nenhum na mesa: A Arte da Dobradura de Guardanapos tem as dobras clássicas passo a passo. R$ 47,00, acesso vitalício.
Me conta: você pendura o pisca-pisca na horizontal ou na vertical? Eu fiz horizontal a vida inteira e vou mudar.
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