
Até a primeira metade do século XV, avental não se chamava avental. Chamava-se napron.
Até a primeira metade do século XV, a palavra para avental era napron.
O dicionário de moda que eu uso registra assim: também aporne e napron, este último "usado no século XIV e na primeira metade do século XV; depois disso passou-se a usar 'apron'."
O dicionário não explica por que a palavra mudou. Existe uma explicação famosa por aí, sobre a divisão errada de "a napron" em "an apron" — mas o meu livro não diz isso, então eu não vou escrever como se dissesse.
O que ele diz, e que é melhor: o avental é a peça mais antiga e mais teimosa do guarda-roupa de quem recebe. Está registrado desde o século XIII.
As palavras que vieram antes
Antes de napron houve outras, e a lista sozinha já conta uma história.
Barme cloth, "pano do colo", vai do início da Idade Média até o fim do século XIV, quando é gradualmente substituído por apron.
Barmfell ou barmskin, do século XIV ao XVII, era um avental de couro.
Bratt, do século X em diante, era uma peça externa improvisada, muitas vezes um trapo, e servia também como avental para criança ou mulher.
E do século XVI vem a minha favorita: belly-chete, registrada como "termo de gíria para avental."
Quatro palavras em seis séculos para a mesma ideia. A coisa é tão constante que ela sobrevive à própria nomenclatura.
O avental dizia sua profissão
Esta parte me pegou. Antes de existir uniforme, existia cor de avental.
Homens de avental xadrez eram barbeiros do século XVI.
Homens de avental azul significava, com frequência, comerciantes, do século XVI ao XVIII.
Homens de avental verde eram carregadores de Londres no século XVIII, e no século XIX o avental de baeta verde era usado por gente de mudança e em salas de leilão.
Você atravessava a rua e sabia o que cada pessoa fazia pela cor do pano na frente do corpo.
Registro isso como história, não como sugestão. É exatamente o tipo de código que diz a alguém o que ela pode e não pode vestir, e essa parte eu não quero de volta. O interessante é que a gente é a primeira geração em oito séculos que pode pôr um avental sem estar declarando ofício.
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O bib é o detalhe que resolve tudo
Aqui está a linha que virou a chave deste post inteiro.
O dicionário separa dois tipos de avental feminino. Alguns aventais de trabalho tinham um peitilho preso que subia da cintura para proteger o corpete. Aventais decorativos eram de tecidos finos, normalmente sem peitilho, e frequentemente bordados.
Leia de novo a segunda metade: decorativo, normalmente sem peitilho.
O peitilho é o argumento inteiro costurado numa peça só. No momento em que o avental para de cobrir o peito, ele parou de ser para trabalho e virou uma coisa que se veste por cima do trabalho.
Isso é um teste que funciona hoje, no seu armário. Olhe o avental que você tem. Ele sobe? Então ele acredita que você vai sujar. Não sobe? Então ele é roupa.
A época em que ele não protegia nada
O avental decorativo teve três picos: do fim do século XVI até cerca de 1640, depois ao longo de todo o século XVIII, e de novo nos anos 1870.
E os dos anos 1870 são um caso raro de moda se autodenunciando: eram "muito pequenos, de seda preta, às vezes bordados em cores, e popularmente conhecidos como 'folhas de figueira'."
Folha de figueira. As próprias usuárias sabiam exatamente o quanto aquilo protegia.
Um século antes, do lado francês, o outro livro que eu tenho é ainda mais direto sobre um avental de babados: "aventais de babado não serviam para nada — eram puramente decorativos. Essa moda impraticável foi inspirada pela rainha francesa Maria Antonieta, que gostava de se fantasiar e fingir que era leiteira."
Uma rainha brincando de trabalhadora, e uma peça de trabalho virando fantasia. Registro sem suavizar a ironia, porque ela é o ponto.
Ainda desse livro, uma lista que mostra o tamanho do vestir-se de então: o que uma mulher amarrava na cintura podia incluir camisa, espartilho, várias anáguas, um par de bolsos escondidos, o vestido, um cinto e um avental enfeitado.
E aí ele voltou a trabalhar
O fim da história é curto e é uma virada completa: "a partir do século XX os aventais passaram a ser práticos em vez de decorativos, e vinham em algodão lavável e PVC impermeável."
Seiscentos anos protegendo, três séculos de intervalo enfeitando, e depois de volta ao trabalho, agora em plástico.
Duas notas menores que eu gostei
O bib, do século XVI em diante, é definido como "um pequeno quadrado de linho pendurado à frente do pescoço de uma criança para proteger a roupa de sujar." O bib-apron, do século XVII em diante, é simplesmente o avental com peitilho.
E o pinafore, do fim do século XVIII em diante, é "uma cobertura lavável da frente do vestido de uma criança, para protegê-lo de sujar; semelhante a um avental." O vestido pinafore chegou como "pinafore gown" em 1906 e ficou popular nos anos 1930.
Tem também uma palavra que atravessa as duas mesas: muckinder, do início do século XV ao começo do XIX, era um lenço de assoar — e também um babador de criança, ou um guardanapo de mesa.
Um objeto, três funções, todas de proteger alguém de si mesmo enquanto come.
O que eu tirei disso para dezembro
Sou eu na cozinha entre seis da tarde e meia-noite, com forno ligado a 33 graus. Três decisões:
Compre o avental pelo peitilho. Se você vai realmente cozinhar, quer a versão que sobe. Oitocentos anos de gente prática concordam.
Tenha um segundo, decorativo, sem culpa. A história inteira mostra que o avental bonito é uma tradição legítima e não uma frescura moderna. Um avental de linho, sem peitilho, que você põe na hora de receber e tira na hora de comer, tem precedente desde 1590.
A troca é o gesto. Foi o que eu passei a fazer: cozinho com o de trabalho, e antes de todo mundo sentar eu troco pelo bonito, que também é o sinal de que a cozinha fechou. É a coisa mais barata que eu já fiz para marcar a passagem entre trabalhar e receber.
E o mais importante: um avental é a única roupa desenhada para ser estragada. Isso é uma permissão, não uma limitação. Numa noite em que você vai levantar da mesa oito vezes, vestir a peça que espera sujeira é a decisão mais tranquila do dia.
Se você quiser o resto do que a gente está escrevendo sobre dezembro, reuni tudo numa página. E sobre a outra metade dessa questão, existiu um vestido feito só para receber gente em casa, e era sem espartilho.
E já que estamos falando de pano protegendo roupa: as dobras de guardanapo estão todas no curso, com as clássicas passo a passo. R$ 47,00, acesso vitalício.
Me conta: você usa avental para receber ou tira antes de todo mundo chegar? Eu tirava. Parei.
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